Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Visita de estudo a Ouguela

O castelo de Ouguela

Visitámos Ouguela com a intenção de observar os vestígios medievais que não é possível encontrar em Campo Maior porque a vila foi destruída em 1732 pelo rebentamento do paiol de munições que ficava na torre de menagem do castelo.


Ponte de acesso ao castelo

O acesso ao castelo é feito através de uma ponte assente em arcos com abóbada de tijolo, semelhante às que existiriam nas duas portas de Campo Maior: a de Santa Maria e a de São Pedro. A única entrada tem duas portas construídas em épocas diferentes: a exterior é do século XVII e a interior é medieval.
Em cima a porta do século XVII; em baixo a porta medieval

No interior do castelo ainda existem casas habitadas, resto do que seria a antiga vila de Ouguela. No centro do castelejo observa-se a cisterna e o respectivo acesso. O forno comunitário ainda é utilizado para fazer assados e cozer pão e bolos na altura da Páscoa.
Casas da vila antiga no interior do castelo e cisterna

Forno comunitário e casas da vila antiga

Destaca-se, no conjunto dos edifícios, a chamada casa do governador, pela dimensão e aspecto de nobreza.
O castelo tem a cintura de muralhas completa, com adarve, ameias e merlões.
Fora do castelo encontra-se o burgo, com três ruas radiais em relação ao castelo, que terminam na circular que delimita a povoação.

O arrabalde ou burgo. Uma das ruas radiais.

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Origens de Campo Maior

Existem explicações lendárias para as origens de Campo Maior. Uma delas refere que, indo três homens à procura do local ideal para fundarem uma povoação, um deles, ao chegar a um campo aberto terá dito: “Aqui o campo é maior!”. Outra lenda refere que D. Dinis terá visitado o castelo já existente e, chegando à janela, disse que a vila devia ser construída ali, onde o campo era maior.

Segundo as fontes documentais, houve uma ocupação romana na área de S. Pedro, comprovada por escavações arqueológicas.



Baixo relevo de origem romana representando, possivelmente, as três fases da vida de um homem: infância, adulto e velho, mas que a lenda interpreta como sendo os representantes das três aldeias que se juntaram para formar Campo Maior. Foi utilizada para servir de parapeito a uma janela do 2º andar de uma casa na Rua de Ramires.

Documentos escritos antigos referem a existência de aldeias em volta do local onde nasceu um castelo e que, provavelmente, desde os tempos dos romanos se chamaria Campo Maior. As aldeias eram Joannes e Luzios.
Concretamente, só há uma povoação organizada por volta do século XIII. Antes seria uma aldeia do termo de Badajoz que passou a pertencer ao Reino de Castela quando aquela cidade foi conquistada aos muçulmanos. O rei de Castela fez doação de Campo Maior e Ouguela aos Peres de Badajoz, que lhe conferiram o primeiro foral e o estatuto de vila.
Campo Maior foi integrada nos bens do bispado de Badajoz, na dependência dos quais ficou até ao Tratado de Alcanises. Mas, nas questões espirituais, vai depender do bispado de Badajoz até ao reinado de D. João I.

Com o Tratado de Alcanises, em 1297, no reinado de D. Dinis, Campo Maior passa para a coroa portuguesa. D. Dinis concedeu-lhe foral, definindo-lhe, em definitivo, o estatuto de vila sede de concelho. Foi também este rei que ordenou a reconstrução e alargamento do castelo.

A mais antiga representação conhecida do castelo medieval de Campo Maior corresponde aos desenho de Duarte d'Armas, mandados fazer por D. Manuel, no século XVI. Além de Campo Maior, foram feitos desenhos de todas as fortalezas da fronteira, incluindo Ouguela.


Campo Maior, segundo Duarte d'Armas. Vista Norte.

Campo Maior, segundo Duarte d'Armas. Vista Sul.

Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Estação calcolítica de Santa Vitória

A visita de estudo ao Alto de Santa Vitória, no dia 24 de Outubro de 2007, teve como objectivo observar os vestígios dos primeiros habitantes da região de Campo Maior.

O Alto de Santa Vitória está situado perto da estrada que liga Campo Maior a Elvas, numa plataforma elevada na actual propriedade agrícola de Vale da Preguiça.

A escolha destes lugares elevados deve-se à possibilidade que o local oferecia para os habitantes se defenderem dos inimigos, à proximidade de cursos de água, à fertilidade das terras e à existência de matérias-primas, como a argila.

Vista geral do local da escavação

O sítio de Santa Vitória foi sujeito a escavações por um grupo de arqueólogos nos anos 90 do século XX. No nosso grupo estava a D. Isabel Pinto que participou nas escavações e fez o restauro de algumas das peças encontradas e explicou o trabalho que na altura realizou.

Esquema do local escavado


Reconstituição do povoado e de uma das habitações

Observando uma barra cronológica que constava na ficha informativa, verificámos que este povoado foi ocupado entre 3 000 e 2 000 a.C.

Vista parcial do fosso de protecção do povoado

Durante a visita podemos observar as fossas escavadas na rocha que serviram de silo para armazenar alimentos e cisternas para a conservação da água. Também existem vestígios de cabanas. Todo o povoado estava rodeado por dois círculos de fossos defensivos.

Um dos silos para reserva de água ou de alimentos

Pelos artefactos, verifica-se que este povoado é da fase final do Neolítico, do Calcolítico, ou seja, do começo do uso dos metais.
Trata-se de um Neolítico tardio, pois, nessa altura, já se estavam a desenvolver no Mediterrâneo Oriental as grandes civilizações históricas como a do Egipto e da Suméria.

O grupo de parcipantes na visita